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Relato do parto

Vou contar um pouquinho como foi o parto da Juju. Mas antes de qualquer relato, quero dizer que não levanto bandeira para nenhum tipo de parto, acho que cada mulher deve saber o que é melhor para si. Sou absolutamente contra médicos que decretam o parto da mulher, sem dar a elas a chance de escolher, o que é cada vez mais comum no Brasil.

Minha última consulta com meu médico foi no dia 06 de março, eu queria parto cesáreo e ele já sabia da minha escolha desde o início. É um saco ter que ficar me justificando para pessoas que nada tem com a minha vida, mas como escrevo para minhas filhas lerem no futuro vou dizer por que escolhi a vilã, ops cesárea. (Já prestaram atenção, como as defensoras do parto natural fazem a cesárea parecer vilã?).

Eu decidi ter Juju por cesárea porque eu queria fazer laqueadura. Muitas pessoas tentaram me convencer que era muito mais fácil meu marido fazer vasectomia, já que nós decidimos não ficarmos grávidos novamente. Porque outros filhos a gente ainda pode ter, aquele sonho de uma adoção ainda está aqui guardadinho, mas grávida eu não vou ficar novamente. Outros meios contraceptivos também estavam fora de questão, já que a gravidez de Juju aconteceu, outra também poderia acontecer e correr o risco pra quê? Eu posso ir a montanhas-russas e pular de paraquedas para viver perigosamente, não é?

Como eu já tinha feito uma cesárea antes, eu já sabia tudo o que me esperava e já que eu estava sem plano de saúde e ia pagar o parto, o melhor financeiramente foi incluir a laqueadura no pacote. Porque nessa altura da situação, estando tudo bem com a nossa saúde, o financeiro foi o que mais pesou.

No dia da última consulta, marcamos a data do parto para dia 12/03/2012, segunda-feira. Confesso que eu já não aguentava mais, ficar grávida é muito bom, mas o final da gravidez é um tormento. Eu sentia dores em todos os lugares do corpo, sentada não estava bom, deitada não ficava bem e muito menos em pé. Eu não tinha posição, ficava agoniada e cheia de dores. Tudo isso com uma menininha de quatro anos, cheia de energia.

Quando chegou o dia, fui com marido no banco (aproveitar a fila especial) e depois fomos para a maternidade. Fizemos o procedimento para internação, fomos para o quarto e ficamos a espera do médico, que demorou horrores. Eu morta de fome, em jejum, esperando o médico. Todo mundo ligando perguntando se já tinha nascido e nada.

Também depois que ele chegou, foi tudo rapidinho, me levaram para o centro cirúrgico e a louca teve um ataque de pânico, chorava sem parar, hahahhahaa. Sério, hoje eu lembro e dou muita risada, onde eu arrumei tanta lágrima em um único momento? Nem eu sei, mas eu arrumei. O anestesista era muito legal e conseguiu me acalmar e aplicar a anestesia. Acho que meu medo era a anestesia, pois no parto da Mari doeu muito à aplicação. Dessa vez nem senti a agulha, uma beleza.

A anestesia pegou rapidinha e logo eu pude escutar aquele chorinho que nos tira um minuto do planeta. É o som mais lindo do mundo, não existe música alguma que supere a beleza do som do primeiro choro de um filho. Juju nasceu, linda, cabeluda e com uma potência vocal de fazer inveja, que garganta boa! Veio para o meu abraço, assim que saiu da barriga. E ficou quietinha me olhando, quando escutou a minha voz.

Eu vi quando a mediram e pesaram e sorri do quanto ela era grande. Acho que o tamanho explicava o tanto de dor que eu senti na gravidez. Cinquenta e cinco centímetros e três quilos e setecentos e vinte gramas. Uma bebezinha, que chegou para fazer minha vida ainda mais cor-de-rosa. Tem como não ser imensamente feliz?

O pós-parto também foi surpreendente. Não senti dor alguma. Uma maravilha! Foi um nascimento feliz para mamãe e Juju. 🙂

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Arquivado em Juliana, Momentos especiais, Padecendo no paraíso, Testemunho

Arrumando o ninho

Esse final de gravidez tem me deixado mais neurótica que o normal. Já ouvi relatos de várias mulheres que também entraram nessa onda de arrumação e limpeza sem fim nesse período, e o fenômeno é tão normal que foi apelidado de “Nesting Instinct”, que é como um instinto natural de preparação para a chegada do novo ser ao ninho.

Fato é que me deu à louca e eu saí lavando portas, limpando janelas, paredes, chão e tudo mais que aparece na minha frente, com a ajuda da Mari, a minha menininha quer me ajudar em tudo, uma gracinha. Ela ajuda mesmo, dou as tarefas e ela faz tudo.

As coisinhas de Juju já estão compradas, faltando poucos itens, mas nada que a impeça de chegar a esse mundo. Ela já tem berço (com todas as parafernálias necessárias), carrinho, bebê conforto, roupas, fraldas, toalhas, banheira, trocador, lacinhos de cabelos e sapatinhos, ou seja, os itens necessários e desnecessários que todo bebê precisa. Mas quem quiser presenteá-la, ficaremos muito agradecidos *risos*.

Seu quarto também já está praticamente pronto, só faltando papai colocar umas prateleiras e a cortina (esperamos ansiosamente que ele faça isso nesse fim de semana, tá amor?). As roupinhas eu estou deixando pra lavar no feriado do carnaval, já que devido a esse barrigão não vamos nos aventurar em nenhuma viagem por aí. Intimei a sogra pra vir me ajudar a lavar e passar tudo, assim ficamos a espera da pequena.

Fato é que depois de tanto esforço físico de uma barriguda, hoje ela está detonada e cheia de dor na coluna. Todo mundo ainda briga comigo, me mandando ir devagar e não me esforçar tanto. Eu sei de tudo isso, mas se eu não fizer quem vai fazer?

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Arquivado em Casa, Eu, Padecendo no paraíso

Dia das mães

Meu dia das mães foi para descansar da semana corrida que tivemos por conta do aniversário da Mari. Esse ano eu não ganhei presentes, com as contas apertadas, ficamos somente nas homenagens mesmo. Mas mesmo assim ainda vieram algumas surpresinhas da escola e da igreja.

A homenagem da escola foi emocionante, Mari cantou e dançou a coreografia toda, toda feliz por estar me homenageando. A música que ela ia cantar eu já sabia, porque minha gatinha não aguentou segurar o segredo. Ela chegou um dia da escola e disse:

– Mãe eu não posso te dizer à música que eu vou cantar pra você.

– Tudo bem filha, não precisa dizer.

Alguns minutos depois:

– Mãe, a música é bonita, você vai gostar.

– Eu tenho certeza que vou gostar filha.

Ela foi pro quarto e voltou minutos depois cantando e dançando:

– Nem o sol, nem o mar, nem o brilho das estrelas…

Eu ri muito.

Mas mesmo já sabendo a musica e coreografia, foi demais ver minha filhota toda empenhada em fazer o melhor pra mim.

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Na igreja também tivemos uma apresentação e Mari cantou com as outras crianças a música “Mãe” do Voices. Também ganhei mimos, bombons e uma bolsa.

O mais engraçado é que depois do dia das mães, todos os dias a Mari diz pra mim:

“Feliz dia das mães”

Afinal sou mãe todo dia, então todos os dias deve ser felizes, essa minha filha sabe tudo mesmo!

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Arquivado em Eu, Mariana, Momentos especiais, Padecendo no paraíso, Pérolas de Mariana

Dear Mari

Oi Filha,

Você está perto de completar os seus quatro anos, então estou escrevendo para contar o que anda acontecendo em sua vidinha nesse momento. Dessa vez nem vou ficar enchendo sua bola, dizendo o quanto você é maravilhosa e linda, porque isso você já sabe que é, mas vou falar de algumas coisinhas chatas que você anda aprontando.

Já ouviu dizer que filho criado o trabalho é dobrado? Essa é uma expressão muito usada pelas vovós e mamães mais experientes e agora como já estou ficando uma mamãe experiente, vou usar essa expressão também. Cada dia que passa parece que o trabalho aumenta, quando mais você cresce e aprende sobre tudo, mas trabalho você dá para a mamãe. Olha que eu achava cansativo amamentar e trocar fraldas, eu era feliz e não sabia *risos*.

Você anda tão geniosa e querendo ser dona do nariz, que me deixa de cabelos brancos. É um tal de “Eu não quero isso” ou “Não vou fazer aquilo”, que me deixa tão estressada, cansa viu? Como cansa! Acaba acontecendo de eu ter que brigar com você o tempo todo, colocar de castigo, tirar as coisas que você gosta tudo para conseguir domar o seu gênio. Tem horas que consigo, tem horas que não.

Engraçado que eu tinha elogiado você para o seu pai durante a viagem que fizemos para Itaperuna, disse a ele o quanto você estava obediente e disciplinada. Parece que você ouviu e para me contradizer começou a fazer tudo ao contrário, ficando muito birrenta e chorona. Chora por tudo, um saco!

Agora para conseguir fazer você me ouvir, eu te coloco para pensar, você fica lá chorando e gritando, tentando de todas as formas chamar a minha atenção e eu só te atendo quando você finalmente para de chorar e começa a ouvir. Mas você tem percebido que chorar e gritar não vai resolver muitas coisas, outro dia você começou a chorar sem motivos, eu te repreendi e você olhou pra mim e disse: “Já sei mãe, nessa casa não tem espaço pra pirraça, só pra conversa”. Acabou gravando de tanto que eu te falo isso.

Nós duas estamos aprendendo a negociar em tudo, você cede de um lado e a mamãe cede de outro e assim vamos nos entendendo. Educar é muito difícil, você vai ter ideia disso quando tiver seus filhos (agora tô parecendo minha mãe falando comigo). É filha a idade vai chegando e a gente vai vendo que infelizmente não dá pra ser criança a vida inteira, como eu queria ter meus pais me corrigindo nos meus erros, hoje se eu erro arco que as consequências sozinha e vai ser assim pra você também, então aproveita enquanto você mora comigo e eu posso te corrigir nos seus erros.

Só pra você não ficar triste com essa cartinha, a mamãe, apesar de cansada, está adorando ver você crescer essa menininha cheia de personalidade. Você continua encantadora, inteligente e muito engraçada (apesar de você hoje não gostar de ser engraçada).

Na escola você tem se desenvolvido tão bem, agora você sempre volta com dever de casa e é uma alegria fazer os deveres com você. Tem se mostrado cada vez mais curiosa. Ontem, enquanto fazíamos o dever, você disse assim: “Mãe, cachorro começa com k, né?” Eu respondi que não que cachorro começava com “c”. Você olhou pra mim séria e disse: “Não mãe é com k: k – cho – rro”. Achei tão interessante essa coisa de ligar as letras ao som que elas fazem, comentei com sua professora e ela ficou empolgada com isso, sinal de que você tem prestado muita atenção às letras e aos sons delas. Outra coisa que me lembro agora, foi de estarmos procurando figuras que começassem com a letra “a”, você viu a maçã e falou pra mim: “Aqui mãe a “apple” começa com “A”.” No desenho da maçã não estava escrito apple, mas você se lembrou de como era a escrita em inglês.

Viu só como você além de birrenta e geniosa também é curiosa e inteligente. Sem falar o quanto você é linda, mas aí já estou ficando redundante demais, hehehehe

Te amo filha! Mesmo que às vezes eu tenha vontade de fugir pra outro planeta, eu continuo te amando.

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Arquivado em Mariana, Padecendo no paraíso, Pérolas de Mariana

Padecendo no paraíso

Ser mãe realmente é padecer no paraíso. São alegrias sem fim, mas estresses sem fim também.

Uma das coisas que aprendi como mãe é que não posso planejar as coisas, tudo vai depender da Mari. Hoje eu tinha planejado fazer várias coisas e não consegui fazer nada do planejado.

Ontem à noite minha querida pipoquinha resolver aprender a voar e foi parar aonde? Um doce pra quem adivinhar!

No chão, é claro!  Essa foi fácil, né? Passa aqui em casa que seu doce tá te esperando.

A minha cama é super alta, eis que a menina foi de cara no chão. Berreiro na certa. Socorro!!! (Não esqueçam que eu sou exagerada, tá? Nesse momento você deve estar pensando que ela está com a cara arrebentada. Graças a Deus não está.)

Depois que eu e o pai dela a apertamos inteira para ver se não tinha quebrado nada, ficamos aliviados por estar tudo bem. A deixamos de observação (tipo se revirar os olhos, começar a falar lé com cré ou dançar na boquinha da garrafa – ela não era dessa época Monalisa -, corre pro hospital mais próximo. Nada disso aconteceu e ela ficou normal e ativa como sempre.

Quatro horas da manhã acordo com gritos vindos do quarto dela, saio correndo, tropeçando nos dez milhões de brinquedos espalhados pela casa e encontro a menina toda vomitada. Dei banho e troquei a roupa dela. Ficamos na sala assistindo Discovery Kids enquanto eu a observava. Pausa – Quando se é mãe há algum tempo a gente não sai mais correndo para o médico por qualquer coisa – Despausa.

Ela estava bem, mas não quis comer. Dormiu, a mãe que aqui escreve também, isso já eram seis da manhã. Conseguimos dormir até as nove. Depois, a menina passou o dia enjoada, chorando a toa, sem querer comer. Depois de eu forçá-la a comer um pouquinho, ela dormiu. Acordou com uma febrinha, nada alta.

Hora de ir para o médico. Eis que ela me pede guaravita. Vamos para a padaria compramos guaravita. Voltamos para casa e a menina já devorou um monte de coisa, tô até com medo de ter uma indigestão.

Está super bem pulando como a pipoquinha que sempre foi e nem sinal de nada que sentiu até agora. Pergunto para ela: “Como você está?” Resposta: “Tô bem melhor mamãe!”

Ser mãe é padecer no paraíso!

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