Adolescência

Quando eu estava com treze anos, meus pais se separaram. Foi uma época muito difícil. Me sentia a princesa que perdeu o castelo. Meu pai traiu a sua família inteira, e não cumpriu com as suas promessas, mas não quero julgá-lo.
Com quatorze anos eu perdi meu irmão em um acidente de carro. Isso mexeu muito comigo. O Júnior é meu irmão por parte de pai. E não moravámos juntos, ele morava com a minha avó aqui no Rio e eu morava em São Paulo. Então a nossa relação era distante, mas isso não significa que não nos amavámos. E então, eu aprendi que a gente só dá valor as pessoas depois que a perdemos. E desde então, eu venho dado valor a cada pessoa que está ao meu redor.
Nessa época eu comecei a trabalhar na Caixa Econômica, como estagiária. E estudava a noite no Colégio Albert Einstein, fazia ensino médio técnico em contabilidade. Fiquei dois anos na Caixa. Aprendi tanto naquele lugar, e também fiz muitos amigos. A gente ralava bastante, principalmente na época que eu ficava no FGTS, mas a gente se divertia horrores também.
Com catorze anos eu também conheci a Jesus. Me batizei no dia 28/12/1997. E tudo mudou na minha vida. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
Com dezesseis anos eu comecei a trabalhar em um escritório de contabilidade, onde também fiquei dois anos. E foi nesse período que eu conheci uma doença chamada depressão. Eu me vi sendo o porto seguro de uma casa. Tendo que decidir tudo a respeito da minha vida, da vida da minha mãe e da vida do meu irmão. Nessa época também sai da igreja, com sentimentos confusos, e o coração despedaçado. Deus não tinha nada a ver com a minha revolta interior, mas eu também não abria mais a porta para que ele entrasse. Eu prestei vestibular para uma faculdade no Rio, e não sabia o que fazer. Tendo que decidir se continuava em São Paulo ou se mudava para o Rio. Acabou que meu patrão na época vendo o meu desespero, eu chorava o dia todo, eu não comia, não dormia, só chorava, me ofereceu um aumento bom de salário para que eu pudesse estudar. E então comecei a fazer faculdade, mas não de contabilidade e sim de jornalismo. Logo começaram acontecer coisas no escritório que me desiludiram muito. Fiscalizações compradas, subornos, tanta sujeira, e eu não queria fazer parte daquilo. Até que pedi para sair. Já estava com 18 anos, me vendo forçada a tirar um CRC que eu não queria. Para mim foi o fim da contabilidade na minha vida. 
Hoje, vejo a minha adolescência muito diferente de outras pessoas, eu passei o tempo todo trabalhando e estudando. Sendo a cabeça de uma família desestruturada. Mas, isso me fez crescer.Mona formatura

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